terça-feira, 11 de maio de 2010

Exposição - A Censura Musical na Ditadura Militar



                                                                    
Com o objetivo de ampliar os horizontes culturais de seu público, o Museu da Música tem a satisfação de realizar no mês de junho uma exposição referente ao período da ditadura (1964-1985) bem como suas conseqüências no âmbito musical e cultural no Brasil.

A exposição englobará um breve histórico referente ao período da ditadura, que mais tarde através do AI-5 de 1968 estabeleceria a censura definitiva à cultura em geral.No meio dessa guerra de expressões culturais surgiram os festivais. O primeiro foi exibido pela primeira vez pela TV Excelsior em abril de 1965. Outros festivais passaram a ser exibidos pela TV Record. E foi nessa mesma emissora que dois outros programas musicais ganharam vida e se tornaram marcos tanto na música quanto na TV brasileira. “O fino da Bossa Nova” tinha como destaque cantores e compositores da recente Bossa Nova. Já o programa “Jovem Guarda” foi criado para satisfazer o público mais jovem que apreciava o rock.

Neste círculo musical surgiu a irreverência da Tropicália, movimento cultural que rompeu e sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 67 e 68. Entre os cantores e compositores estavam Caetano, Gal, Gilberto Gil, os Mutantes, Tom Zé e o Maestro Duprat.
O movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano em dezembro de 1968.
Na exposição poderão ser encontradas ainda, as letras das músicas censuradas de compositores como Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Zé Rodrix, Geraldo Vandré entre outros.
Também estarão expostas cópias de documentos (letras com observações dos conselheiros da Divisão de Censura de Diversões Públicas). O público também poderá ouvir estas gravações e ainda assistir um vídeo específico sobre a censura na música (Clipe documentário sobre a música brasileira no período da ditadura militar que pairou no Brasil durante as décadas de 60, 70 e 80 – aprox. 20 min.) e outros vídeos relacionados ao movimento Tropicália e aos Festivais.

Para abrir esta exposição, teremos a presença da Banda 'Monsieur Proudhon' tocando o repertório dos anos finais da ditadura e dos anos 80 com letras de cunho político com vozes que jamais serão esquecidas. Entre esses grupos estão: Cazuza, Ultraje a Rigor, Plebe Rude, Raul Seixas e muito mais. Após a abertura musical teremos a presença do historiador Daniel Koepsel que realizará uma palestra didática.
Desta forma a equipe do Museu da Música almeja estreitar os vínculos entre as Escolas e o Museu, tornando-o dinâmico e parte da ação educativa.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Orquestra Intermezzo no Café Musical de Maio



                                          




      Sob a regência do professor de cordas friccionadas, Paulo Lacerda,  a Orquestra Intermezzo abrilhantará o Café Musical do mês de maio, no Museu da Música. O concerto acontecerá no domingo, 16 de maio, a comunidade está convidada a prestigiar. Entrada franca.


Sobre a Orquestra Intermezzo:

     Do sonho, da vontade e da necessidade de continuidade, nasceu a Orquestra Intermezzo, em 04 de maio de 2007. O fundador é o Professor Paulo Lacerda do Curso de Instrumentos de Cordas Friccionadas da Escola de Música da Fundação Cultural de Timbó.
   Os objetivos centram-se em estimular os alunos, promovendo experiências e conseqüentemente conhecimentos do fazer música em grupo, no caso, a orquestra. Visa também proporcionar oportunidade aos alunos de se apresentarem em público com maior freqüência, através de apresentações em escolas, eventos da FCT, asilos, praças públicas, oportunizando assim o acesso à arte a outras pessoas também, beneficiando a comunidade timboense e visitante, representando a Fundação Cultural e o município de Timbó.
    Entre os benefícios de fazer parte da Orquestra, podemos citar: o despertar da atenção e da percepção auditiva, a percepção rítmica, a socialização entre os alunos, a integração entre aluno e comunidade. Os ensaios acontecem semanalmente sob regência do Professor Paulo Lacerda. A Orquestra Intermezzo é composta de I Violinos e II Violinos, Violas e Violoncelos. A Orquestra realiza seus ensaios toda segunda-feira das 18h:30min às 20h:30min na Fundação Cultural de Timbó.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O visitante número 10.000

O Museu da Música chegou ao visitante número 10.000 no dia 24/03/2010. Após a visita da Escola Padre Martinho Stein, um dos 45 alunos foi o grande sortudo a assinar o livro de presenças na linha correspondente ao número 10.000.
O aluno Gabriel foi procurado pela equipe do Museu da Música em sua escola e recebeu uma pequena lembrança musical por tal fato.
A intenção da equipe do Museu e do coordenador Hans Hermann Ziel, foi prestar um agradecimento a todos os visitantes que estiveram no Museu ao longo destes 5 anos e que colaboraram para que atingíssemos este número tão significatico de visitantes. Assim sendo, a equipe do Museu da Música estende o agradecimento feito ao visitante 10.000 a todos os demais e incentiva a comunidade que continue visitando o Museu e se fazendo presente nos eventos para que possamos dobrar este número dentro de pouco tempo.

Café Musical do mês de abril


A apresentação do Café Musical do mês de abril no Museu da Música será com os professores de música da Fundação Cultural de Timbó: Paulo Lacerda,  Luiz Lenzi, Nilo Oss-Emer, Fernando José Machado, Marcos Paulo Westphal e Adriane Fachi.
Todos estão convidados a virem para o Museu saborear um delicioso café acompanhado de muita música!!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"A música e os instrumentos indígenas do Brasil"

                                    Dia 19 de abril, dia do índio

"Os indígenas do Brasil tinham disposição bastante acentuada para a música, e, especialmente, para o canto.

A música instrumental era também largamente praticada e quase sempre associada à dança.
Todas as solenidades religiosas ou festivas eram acompanhadas de música. E os ferozes Tupinambás, que ocupavam grande parte do nosso litoral, dançavam num ritmo monótono e atordoante durante vinte e quatro horas consecutivas, nas cerimônias em que se sacrificavam os prisioneiros de guerra. Entretanto, se o prisioneiro sabia entoar “belos cantos” poupavam-lhe a vida.
As melodias indígenas não possuíam grande variedade de sons, o que as tornava excessivamente enfadonhas.

Os instrumentos dos nossos índios eram bem variados. Entre eles encontram-se: a cangüera, flauta fabricada com ossos de valentes guerreiros; o uatapu (ou atapu ou guatapi), usado na pesca, cujo som pensavam os índios, tinha o poder de atrair os peixes; a inúbia e o membitarará, buzinas de guerra; o mimê, usado pelos índios Guajajarás (no Maranhão), era uma buzina fabricada com duas lascas de madeira da maçaranduba, ajustadas com a resina da própria árvore; e muitos outros.

Possuíam também grande variedade de instrumentos de percussão, tais como: o naruai e mbapi, tambores feitos de troncos leves e ocos; o maracá (espécie de chocalho feito de cabaça e cheio de pedrinhas, cujo ruído imitava o chocalho da cascavel), era usado para evocar os bons espíritos; o curugu ou curuju, grande instrumento de som fúnebre; e outros mais.

Na música dos índios do Brasil predominava o ritmo, caracteristicamente bárbaro. Imitavam o canto dos pássaros, o murmúrio das águas e o sussurro das folhas, dando à sua música um sabor agreste e rude.

Encontra-se no Museu Nacional, vários cantos dos Parecis, coligidos pelo erudito Roquette Pinto e por ele recolhido. Segundo a opinião de estudiosos do assunto, atestada por observação visual, as tribos existentes nas selvas do Brasil conservam ainda intactos os costumes musicais dos seus antepassados."

Priolli, M. L. M. Princípios básicos da música para a juventude. Rio de Janeiro: Casa Oliveira de Músicas, 1997.

terça-feira, 30 de março de 2010

O que é um Museu?

"O museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que promove pesquisas relativas aos testemunhos materiais do homem e do seu ambiente, adquire-os, conserva-os, comunica-os e expõe-nos para estudo, educação e lazer". (conceito de museu do Conselho Internacional de Museus - ICOM).

"Os museus são casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes". (Sistema Brasileiro de Museus)

terça-feira, 23 de março de 2010

Exposição do mês de abril: "A Música no Brasil no Período dos Jesuítas"



Os jesuítas desembarcam no Brasil em 29 de março de 1549 e foram expulsos em 1759 pelo Marquês de Pombal.
A principal missão da Companhia de Jesus era a catequese, batismo e conversão do povo do novo mundo, ensinando a importância da Santa Igreja Católica Romana.
Os jesuítas encontraram na música a forma inteligente de conquistar os índios e facilitar o trabalho da catequização.Nesta crônica podemos observar as ferramentas utilizadas pelos jesuítas em sua obra de catequese do indígena:“não há dúvida que um dos meios para entretê-los e afeiçoá-los a ficar e estar com os Padres é ensiná-los a tocar algum instrumento para suas folias em dias de suas festas em que fazem suas procissões e danças” Holler ( 2006, p. 153 ).

O fato de utilizar a música como instrumento de catequização não era novidade no Brasil. Nas Índias os jesuítas já utilizavam da mesma inventividade, pois viam em meio às cerimônias dos índios o mesmo apoio por meio da música.

Com apenas doze dias após a chegada na Bahia o Padre Manuel da Nóbrega, que trabalhava para traduzir a sistematização da língua geral, escrevia que o Padre Juan Navarro, já se dedicava à prática de composição e adaptação das melodias européias aos textos religiosos que traduzia na língua indígena:
“faz também aos meninos cantar à noite certas orações que lhes ensinou em sua língua, dando-lhes a melodia, estas em lugar de certas canções lascivas e diabólicas que antes usavam”.Castagna (2003, p. 12).

A partir desta citação podemos analisar que o desígnio estava proposto, bastando apenas direcionar as idéias e concluir a ordem de catequização.
Mas na importância em compreender a língua brasílica vê-se a respaldo que os jesuítas sedem aos índios:
Em uma carta de abril de 1549 ao Padre Simão Rodrigues, o Padre Nóbrega expressou a necessidade de os missionários aprenderem a língua dos índios para uma maior proximidade: “temos determinado ir viver nas aldeias quando estivermos mais assentados e seguros, e aprender com eles a língua e i-los doutrinando pouco a pouco. Trabalhei por tirar em sua língua as orações e algumas práticas de N. Senhor.” Holler (2006, pp. 156-157)
Aprendendo a língua Tupi os jesuítas conseguiram aproximar-se mais dos índios e conquistá-los, principalmente os curumins: “pouco tempo depois o Padre Navarro traduziu o Pai Nosso em modo de seus cantares, para que aprendessem e gostassem mais rápido, principalmente os meninos”.Holler (2006, p.157)
Os curumins foram a porta de entrada para a “tentativa” de catequização. Eram curiosos e rápidos no aprendizado e eram ensinados a tocar diversos instrumentos musicais, que vieram com os jesuítas, como: flautas, violas, charamelas, dulcians e órgãos, além do ensino em cantochão (canto gregoriano) e em canto de órgão (polifonia).

Desta forma os jesuítas supriam as cerimônias religiosas:“A festa se fez com várias e bem ensaiadas danças de moços e meninos, com seus ditos em louvor do dia, duas pregações, uma em português, outra na língua brasil, vésperas e missa a dois coros, também cantada, tudo com seu baixão, sacabuxa, flautas e charamelas, que dentro na cidade não sei se se fizera melhor”. Holler ( 2006, p.101).
Assim os curumins começaram a se destacar na nova arte, que para eles era tão atraente.
Muitos estiveram presentes como catecúmenos e os mais dotados aprendiam a cantar e tocar diversos instrumentos musicais, levando música as festas e várias outras cerimônias.

Indios que até então conheciam as suas flautas e o seu canto, desempenhando sua crença nos deuses da natureza que conheciam. De repente se viram tocando instrumentos europeus, cantando no modo europeu e rezando por um Deus trazido pelos jesuítas.

No primeiro momento os jesuítas obtiveram muito sucesso entre os índios, tendo como prática simples, o canto de orações em português e tupi.

Com a chegada de Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo da Província do Brasil, que não aprovara o uso da música tradicional indígena na catequese, Manuel da Nóbrega precisou se explicar .

Escreveu assim o próprio Manuel da Nobrega a P. Simão Rodrigues defendendo-se: "Se nos abraçarmos com alguns costumes deste gentio, os quais não são contra nossa fé católica, nem são ritos dedicados a ídolos, como é cantar cantigas de Nosso Senhor em sua língua e pelo seu tom, e tanger seus instrumentos que eles [usam] em suas festas quando matam contrários e quando andam bêbados e isto para os atrair a deixarem os outros costumes essenciais e, permitindo-lhes estes, trabalhar por lhe tirar os outros." Holler (2006, p.154).

Ponderando na forma em que os jesuítas utilizaram a música no início de 1549 e considerando a grande desenvoltura musical posterior causada pelos meios europeus na colonização, podemos dispor em uma balança todos os benefícios que os mesmos disponibilizaram.

Que cada um encontre uma conclusão, pois como qualquer país colonizado por outro povo, nascemos da sombra de outra cultura.

REFERÊNCIAS
CASTAGNA, Paulo, Música missionária na América Portuguesa. Apostila do curso de história da música brasileira, Instituto de Artes da UNESP, 2003.

HOLLER, Marcos Tadeu. Uma história de cantares de Sion na terra dos brasis: a música na atuação dos jesuítas na América Portuguesa (1549-1759) – Campinas, SP, 2006.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Exposição "Chiquinha Gonzaga"

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher o Museu da Música está realizando no mês de março uma exposição temporária referente à compositora e maestrina brasileira Chiquinha Gonzaga.  A exposição também conta com fotos de outras musicistas famosas.